Economia

Estará o Mercado Imobiliário Nacional Numa Bolha?

Continuam a aumentar os preços das casas, em Lisboa, Porto e Algarve. Será que estão reunidas as condições para uma bolha imobiliária? Se as taxas do crédito à habitação subirem e os estrangeiros forem embora, a bolha pode rebentar?

Há vários indicadores a ter em conta, não basta constatar que os preços das casas estão a um nível elevadíssimo. Talvez o indicador mais importante seja a capacidade de endividamento das famílias. O que todos sentem é que existe demasiada procura e escassez de oferta.

Crescimento rápido dos preços

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O ritmo acelerado de crescimento do negócio imobiliário pode dever-se essencialmente a dois fatores: por um lado, o desempenho positivo da economia nacional que acabou por fazer aumentar a confiança dos consumidores e o seu poder de compra, e por outro lado, o maior acesso ao crédito habitação. Em 2017, os bancos nacionais facultaram mais de 8 mil milhões de euros em empréstimos para compra de casa, com spreads cada vez mais baixos, num contexto de juros historicamente reduzidos. Este é o nível de concessão mais elevado dos últimos sete anos.

O crescimento das transações tem sido acompanhado por um claro aumento dos preços dos imóveis. Os preços das casas em Portugal subiram de forma acelerada durante 2017 e atingiram um pico superior ao que foi verificado em 2009. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, só no terceiro trimestre de 2017, o aumento foi de 10,4% em relação ao mesmo período de 2016. O crescimento foi consideravelmente maior nas habitações usadas do que nas novas.

Há ou não há bolha?

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As subidas acentuadas dos preços levaram já a alertas por parte do FMI, referindo no relatório da 6.ª Avaliação Pós-Programa, que houve um aumento dos preços em cerca de 20% desde 2013, e que é preciso monitorizar de perto os riscos do imobiliário.

Apesar desta evolução, os especialistas do setor negam que o mercado imobiliário está numa bolha. Explicam que se trata de um ajuste nos preços, que desceram a pique no período de crise profunda económica e financeira entre 2010 e 2014 e que, agora, estão a recuperar. Enfatizam também que esta é apenas uma realidade com efeitos mais sentidos em determinadas zonas do país, principalmente Lisboa e Porto, cujos preços superam em muito a média do país. No entanto, são nichos de mercado para um público específico, como os estrangeiros.

As imobiliárias não entram em alarmismos, como a REMAX, referindo não ter dados que demonstrem que há uma bolha e não acreditando que venha aí uma nova crise.  

Como será o futuro?

As maiores agências imobiliárias projetam um 2018 igual ou melhor do que 2017. Por exemplo, a ERA define uma meta de 2000 milhões de euros em imóveis vendidos, já a KW Portugal espera quase duplicar o seu crescimento de 2017.

É importante não esquecer que continua a ser bastante mais barato comprar uma casa em Portugal que em qualquer outro país europeu. Este é ainda o fator que diferencia este mercado de outros a nível internacional.

Contudo, espera-se que os preços continuem a aumentar nas zonas mais procuradas, sendo motivo de alguma preocupação para 2018. Por isso, especialistas recomendam que, se não tiver nenhum motivo extraordinário para comprar, certamente não será a melhor altura para o fazer – o melhor será arrendar e esperar por dias melhores.